segunda-feira, 29 de outubro de 2012

PORTUGAL, AS GRANDES IDEOLOGIAS E O TITANIC: um artigo de José Eduardo Garcia Leandro.


por José Eduardo Garcia Leandro (Este texto representa apenas o ponto de vista do autor, não da PASC, nem das associações que a compõem). 

 


O mundo tem sempre avançado à custa das idéias e da evolução da ciência; durante séculos com grande lentidão na economia, regimes autoritários, poderes religiosos dominadores, impérios expansionistas e a procura de novas fronteiras na terra e no mar.

Com a Revolução Francesa e a I Revolução Industrial tudo mudou; o sistema de produção alterou-se surgindo os primeiros grandes capitalistas e uma imensidão de trabalhadores proletários.

A partir daí (meados do século XIX) a luta entre o capital e os direitos dos trabalhadores nunca parou, quer a nível nacional como mundial; o confronto foi animado por grandes ideólogos, muitas vezes úteis para ditaduras brutais. Os sistemas políticos que dominaram o século XX foram marcados por estas ideologias que se confrontaram violentamente na economia e na guerra e, internamente, ocorreu também a luta entre as democracias e os autoritarismos, independentemente da sua origem filosófica.

Estes confrontos ideológicos criaram regimes que se confrontaram e alguns foram caíndo (fascismos, nacional-socialismo, comunismos). As superpotências nascidas da II Grande Guerra (EUA e URSS) protagonizaram esta luta em todos os campos da vida social, criando redes de aliados politico-económico-militares que lhes permitissem aumentar o seu poder. Foi uma luta de vida ou de morte, em que o combate final não ocorreu, já que a URSS implodiu em 1991, depois da queda do muro de Berlim em 1989; tinha ocorrido a rotura social, pois a economia não tinha capacidade de competir com o a do Bloco Ocidental. Era também a queda do comunismo, para muitos imprevísivel.

Foi o momento da grande vitória da economia de mercado em que se baseavam as democracias e estas foram-se expandindo por todo o mundo. Francis Fukuyama teorizou sobre o Fim da História (e enganou-se); regressaram as religiões, as fronteiras, as regiões, as etnias, os intereses nacionais, enfim, a Geopolítica que andava disfarçada, esmagada pelos superpoderes. Os EUA e os senhores do capital exultaram; o Papa João Paulo II, felicitando-se pela queda do comunismo, alertou que isso não poderia abrir as portas ao capitalismo selvagem. Alerta premonitório do que veio a ocorrer.

O desenvolvimento atingido em todas as áreas da ciência e da tecnologia provovou a chegada ao patamar final da globalização, deslocalizou empresas, integrou o comércio e fez emergir um capitalismo com base nos mercados e não na produção, criando enorme instabilidade e transferindo o poder para os detentores mundiais do capital, entidades não eleitas, sem controlo, que se regem apenas por interesses de lucro. Têm mais poderes que muitos Estados.

Acresce que a informação, a tecnologia e o comércio, agora mundializados, tendem para a igualização dos poderes nacionais que por necessidades próprias se foram endividando, embora a diferentes níveis. Alguns protegeram-se com cuidado. Outros foram gastando sempre à custa de um endividamento que atingiu o limite e foram arrastados pela crise de 2008 nos EUA.

Chegou o Outono do capitalismo histórico e o final da teoria de que os mercados se autoregulavam. Mais uma grande ideologia chegou ao fim com grande violência. Foi uma crise criada pela arrogância e pela ganância ilimitada. As vítimas deste confronto secular das ideologias contam-se por centenas de milhões e agora algo de novo tem de ser criado. A estrutura mundial do poder alterou-se, as regras da economia de mercado têm de ser mais firmes e acompanhadas. Portugal, com falta de visão e de estratégia dos seus sucessivos governantes caíu nesta armadilha mundial, agravando a sua situação por trinta anos de reformas não feitas. A União Europeia não havia sido preparada para este tipo de crise; não tem entidades, nem mecanismos para lhe fazer face e os mais fortes, se encostados à parede, irão reagir de modo egoísta. A União Europeia pode desaparecer e mais desastres podem chegar.

Nações históricas como Portugal podem desaparecer.... e depois? Depois, tudo pode acontecer e Portugal pode entrar no seu Titanic. A Sociedade Civil tem de impedir que tal aconteça e a PASC tem dado o seu contributo. No nosso caso, seria preciso que a míopia partidária desaparecesse e todos os Partidos (incluindo o PCP e BE) tomassem parte num verdadeiro Governo de Salvação Nacional, encontrando juntos soluções concretas para os problemas reais com a Sociedade Civil e abandonando a conversa partidária e de passa culpas de que todos estamos cansados.

Seria a reabilitação dos Partidos Políticos que sózinhos não vão lá. Se os seus responsáveis ainda não tiverem aprendido, as vítimas vamos ser todos nós, a Democracia e o País. No meio de tantos problemas e fraquezas ainda temos grandes virtualidades e potencialidades. Gostaria de, por uma vez, ver todos mobilizados na resolução dos problemas da Comunidade Nacional.

Lisboa, 29 de Outubro de 2012.

3 comentários:

  1. [Nota prévia:
    Espero não ofender alguma regra da PASC - que só conheci agora, através da leitura deste artigo - e quero deixar-lhes a certeza de que não levarei a mal se entenderem retirar este meu comentário (ainda por cima tão longo).]
    Estou completamente de acordo com este artigo, e à disposição para o que julguem conveniente, neste esforço de encontrar soluções positivas para os cidadãos de Portugal.
    Sem querer em momento algum tornar-me protagonista de coisa alguma, junto um texto que há duas semanas, decidi enviar a 6 (seis) líderes de novos movimentos de cidadania que andam aqui pelo Facebook (não tendo recebido senão uma resposta em que se lia: lerei!).
    Percebam que sou defensor do princípio de que não vale a pena lutar CONTRA seja o que for; só vale a pena lutar A FAVOR do que queremos ver no sítio em que hoje há algo que nos desagrada - Transformar a entropia crítica em ENERGIA CRIATIVA, em suma:
    MUDAR O MUNDO começa por nos UNIRMOS
    Caríssima, ou Caríssimo,
    Tenho seguido com interesse o Vosso empenho em apresentar alternativas ao que se passa em Portugal.
    Como tantos outros, vejo várias propostas (no Facebook, ou sobre que leio nos jornais), que não lutam entre si, ainda - é certo –, mas que tendem a confundir, pela divisão que, se apresentadas a votos, gerariam.
    Porque também eu pretendo que Portugal seja um país melhor, peço-lhe que leia a proposta que aqui faço como ‘uma proposta de um apoiante seu’, que sou de facto, nesta medida em concreto: Mudar Portugal para melhor!
    Fico, serenamente, a aguardar a sua resposta.
    Confio que ela será clara e orientada para os valores que nos juntaram um dia (a agora leitora ou o agora leitor, a mim que li o que em outro momento escreveram e propuseram).
    Sinto que estará de acordo com o princípio de que temos de ultrapassar a ‘indignação’ ‘à-rasca’ e passar à Acção DIGNA.
    Conto CONSIGO!
    Portugal (peço desculpa pela usurpação do sentimento) CONTA CONSIGO!
    Luís __ Cochofel, Cidadão portador do Cartão nº___

    Assim,
    CORES - Comunidade Responsável
    Utopia ou POSSIBILIDADE? (depende, também, de si!)

    Proposta:
    Criação de um MOVIMENTO integrador das novas propostas de intervenção de grupos de cidadãos na vida política do País.
    Considerando que:
    - Há uns anos que imagino um 'Inteiro Por Portugal' para actuar no âmbito das Autarquias.
    - Há Eleições Autárquicas no próximo ano.
    - Muitos Presidentes de Câmara estão no seu último mandato e deixam algum 'vazio' ao serem impedidos de prosseguir um trabalho que: ou até era aceite e merecia renovação de mandato dado pelos votantes da região; ou era aceite por se não verem projectos em concreto nas outras candidaturas.
    - Se percebe, em muito do que é dito sobre a actual crise financeira, que há uma quota-parte importante de responsabilidade na gestão dos dinheiros públicos, que é das Autarquias.
    - Se percebe que muitas Autarquias focaram a sua acção na obra pública (a rotundinha ou a estátua) e não se lembraram da necessidade de manter e criar empregos ou actividade económica que fomentasse o desenvolvimento efectivo da qualidade de vida dos seus habitantes.
    - Sente-se (até pela cada dia maior adesão às manifestações de rua) que as Pessoas estão cada vez com mais vontade de intervir na mudança.
    - Há, com certeza, muitas outras razões para se propor algo como o que agora passo a propor, e, para além de estar consciente de que há em curso uma grande quantidade de outras propostas deste tipo, permito-me:
    Pensar que é necessário congregá-las, fazê-las colaborar, dar-lhes as condições de COLABORAÇÃO de que necessitam para se poder afirmar.
    A proposta que agora apresento vai, por isso, no sentido de agrupar as vontades de todos os Portugueses não-alinhados que querem agora participar efectivamente na mudança que querem ver acontecer.
    (continua, no original, com indicação de áreas de intervenção consideradas prioritárias; poderei, caso o solicitem, partilhar aqui, ou por mensagem, o conteúdo restante; não o faço agora por me ter sido devolvida a mensagem de que o texto excedia o tamanho permitido)

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    1. Cochofel, parece-me um cidadao valido e que pensa pela sua cabeca o que ja e 90% do caminho. Chamo a atencao dum paradoxo na direcao a seguir:-criacao dum movimento; amigo a coisa que mais temos e movimentos, partidos, propostas, boas intencoes, unioes possiveis(juntar o Cavaco com Rui Rio, a FLeite com Louca..). Ja pensou que se juntar ao movimento Transparencia e Integridade ou a Sedes e colaborar na informacao/formacao dos eleitores- esses sim que podem mudar(devem)o estado das coisas e reponsabiliza-los pelos votos que pode ser muito util e reduzir os que comfundem votar com ir rezar a santinha da devocao? eu apoio nisso e retribuio CONTO CONSIGO e ja agora com autor do artigo G.Leandro que ,sem ofensa, defende o paradoxo da tangencia.

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  2. Há um erro no meu comentário anterior:
    Horas depois da publicação deste texto, completo, no Facebook, um dos líderes de um dos Movimentos de que falo, publicou algo que, também, estava a responder àquela minha nota, a saber:

    Uma Alternativa em formação...
    http://maisdemocracia.org/

    (De novo reitero que, se entendido como abusivo ou desajustado, possa este comentário ser retirado por quem administra este espaço!)

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