Domingo, 19 de Maio de 2013

I CONGRESSO DA CIDADANIA LUSÓFONA: um apontamento de Jorge Marques.

I CONGRESSO DA CIDADANIA LUSÓFONA
Organização da PASC
com a Coordenação do MIL e da Sphaera Mundi - Museu do Mundo.

SOCIEDADE DE GEOGRAFIA DE LISBOA
2 E 3 DE ABRIL DE 2013.

por Jorge Marques (Este texto representa apenas o ponto de vista do autor, não da PASC, nem das Associações que a integram).



É curioso que tenha entrado neste congresso com a ideia de um Espaço e Língua Lusófonos e nesse sentido tenha também ouvido os vários intervenientes. Mas a certa altura estes dois conceitos de Espaço e Língua foram-se diluindo e passaram a dar lugar a duas outras ideias e que são o Tempo e a Comunicação. E porquê?

Porque a dimensão do espaço da globalização tornou todo o outro espaço pequeno, de fácil acesso e esse espaço da lusofonia ainda mais pequeno, mas também porque a lusofonia tem várias dimensões, a dos países e a das várias comunidades espalhadas pelo mundo e no espaço dos outros. 

Mais importante do que a noção de espaço é a ideia de tempo, é isso que verdadeiramente nos liga. Entre nós temos um passado, um presente e um futuro, quaisquer que sejam as evoluções que venham a acontecer, no melhor ou pior sentido. Um passado em que todos vivemos coisas boas e más e que marcam a nossa memória e a nossa relação. Um presente muito focado no relacionamento entre países, onde o político e o económico são dominantes e tem os constrangimentos naturais e as marcas dos vários poderes. Um futuro que já não é completamente desconhecido e que começou a ser construído neste congresso, de forma leve e breve e onde os cidadãos lusófonos organizados, independentemente do espaço, se ligam e estabelecem relações e objectivos. Um tempo onde o passado é menos importante que o presente, porque neste presente estão simultaneamente dois tempos, o hoje e o futuro, porque o que fizermos ou não fizermos hoje, acontecerá ou não amanhã. A concentração da nossa atenção na complexidade do presente é, por isso, a mais determinante, porque é aqui que temos que responder a perguntas simples como: onde estamos e para onde queremos ir? E o tempo não é a linha que une passado-presente-futuro, nem sequer é circular, porque nunca regressaremos ao ponto de partida, é uma espécie de espiral onde todos evoluímos e vamos subindo de nível em conjunto

E nesta espiral, que é a verdadeira linha do nosso tempo, o instrumento mais precioso é certamente o do estabelecer objectivos, obrigatoriamente claros, possíveis e para além do possível, localizados no tempo, com responsabilidades atribuídas e partilhadas. Os objectivos definidos desta forma, permitem-nos que hoje possamos construir o futuro e ele deixe de ser desconhecido, para isso basta a nossa vontade e o nosso comprometimento para os fazer acontecer, na forma e tempo que determinarmos.

A ideia de espaço é também pouco integradora nos tempos que correm, porque alguns dos povos e comunidades lusófonos podem ter tendência para rejeitar um certo eurocentrismo que caracteriza Portugal e do qual o nosso país se mostra demasiado dependente, como uma espécie de prisioneiro. Alguns falam já de um diálogo Sul/Sul e nesse aspecto Macau poderia ser esse centro, porque está nas portas da China e esta tem sabido respeitar e aproveitar o potencial da Lusofonia dentro e fora de portas, porque não é um Estado, porque está á beira do lugar onde vai acontecer o próximo futuro, porque respeita a Sociedade Civil Lusófona. Claro que seria preferível que isso acontecesse em pleno Atlântico – O Nosso Mar, transformado num continente de água, uma via de aproximação e não de distância. Tempo, porque o pior que nos pode acontecer é se um dia alguns de nós estiverem em tempos diferentes, perdidos no tempo, esse é o risco de alguém ser privado ou excluído do futuro. 

E porquê a comunicação mais que a língua? Porque a língua é apenas um instrumento que serve para falarmos e ouvirmo-nos uns aos outros, mas isso não quer dizer comunicar. O objectivo final da comunicação é um retorno emocional, é sentir o outro e com isso gerar o capital mais importante do nosso tempo e que é a Confiança. A língua comum é sem dúvida uma vantagem inicial, mas deve ser considerada apenas o princípio e não o fim da nossa relação. Com a língua podemos chegar mais depressa á aprendizagem, isso é uma vantagem comparativa, mas nunca confundir a mesma língua com melhor comunicação, isso tem que ser trabalhado. Veja-se o que se passa no nosso próprio país? 

Nesta linha de pensamento sobre língua e comunicação, naturalmente que as pessoas individualmente, os grupos, a sociedade civil, tem mais facilidade de dialogar do que os estados. Por isso, deve ser um agente precioso e prioritário de aproximação e comunicação. Não tenhamos dúvidas de que uma Sociedade Civil Lusófona é bem mais operativa do que o sistema dos governos, também por questões de tempo, também porque o tempo dessa Sociedade é sem tempo e pode construir para além das limitações do poder político, limitações que são espaciais, de soberania, temporais e muitas outras.

Sábado, 18 de Maio de 2013

I CONGRESSO DA CIDADANIA LUSÓFONA: algumas notas de Maria Perpétua Rocha, Coordenadora da PASC.

I CONGRESSO DA CIDADANIA LUSÓFONA
Organização da PASC
com a Coordenação do MIL e da Sphaera Mundi - Museu do Mundo.

SOCIEDADE DE GEOGRAFIA DE LISBOA
2 E 3 DE ABRIL DE 2013.


por Maria Perpétua Rocha (Dr.ª), Coordenadora da PASC.



A PASCPlataforma Ativa de Associações da Sociedade Civil criada em Portugal em Janeiro de 2010, agregando actualmente 32 Associações da Sociedade Civil que, trabalhando em rede, criam sinergias, potenciam conhecimento e mobilizam os cidadãos para darem expressão a questões de interesse nacional promovendo uma cidadania ativa e responsável individual e coletivamente, realizou em Abril de 2013 o I Congresso da Cidadania Lusófona

É consensual, no âmbito da PASC, que a afirmação do "Espaço Lusófono", Países da CPLP e suas Diásporas, é de importância vital quer para Portugal, ponto fulcral em torno do qual rodam de forma única os eixos Norte /Sul e Oriente /Ocidente, mas também para os restantes Países do Espaço da Lusofonia.

É igualmente consensual que a pertença de Portugal à União Europeia não deve ser impeditiva da afirmação de Portugal neste Espaço emergente, devendo antes ser encarada como uma mais valia geopolítica, cultural e económica para todos os que constituem estanova pátria da lusofonia.

Um ano depois de ter promovido um Encontro Público sobre aA Importância da Lusofonia(24 de Fevereiro de 2012), em que procuramos a participação de Associações da Sociedade Civil do Espaço Lusófono, a PASC leva a cabo este I Congresso da Cidadania Lusófona agora com a participação presencial e testemunhal, quer de Cidadãos quer de Associações dos 8 Países da CPLP e das suas diásporas.

O Congresso, que abriu com as intervenção do Professor Luís Aires de Barros, Presidente da Sociedade de Geografia e da Academia de Ciências de Lisboa, da Dr. Maria Perpétua Rocha, Coordenadora da PASC e do Dr. Renato Epifânio Presidente do MIL, contou com a presença de destacadas Figuras e Associações do Espaço Lusófono e abordou temáticas fundamentais para diferentes sectores da Sociedade, abrindo uma primeira janela de oportunidade para trabalhos futuros entre Associações que, neste "Espaço", se encontraram pela primeira vez.

Desde as Conferências inicias à riqueza do debate, abriram-se espaços de Colaboração e Cooperação Económica e Social; Direitos Humanos e Saúde; Cultura, Educação e Língua; Comunicação Social, Direitos de Autor e Património, tendo a Conferência do Secretário de Estado do Mar, Prof. Manuel Pinto de Abreu aberto portas de colaboração no sector estratégico do MAR, portas estas que foram reforçadas pelas intervenções dos representantes das Associações presentes.

A Língua PortuguesaPátria de todos nósé um veículo dos Valores únicos que justificam a proximidade dos Povos deste Espaço e que, conjuntamente, com o Mar constituempontes estratégicasfundamentais para a afirmação do Espaço da Lusofonia no Mundo do advir como salientaram os Conferencistas, Prof. Adriano Moreira, Embaixador Lauro Moreira, Artista Celina Pereira, Prof. Gillian Muller, Prof. André Magrinho, Dr. Emílio Rui Vilar, Dr. Francisco Mantero, Dr. José Alarcão Troni, Dr. Carlos Vargas, Prof. Pinharanda Gomes, Prof. Manuel Ferreira Patrício, Dr. João Salgueiro bem como os representantes das muitas AA do Espaço Lusófono e todos os participantes durante os períodos de debate.

No decurso do Congresso foi entregue o Prémio MILPersonalidade Lusófonaao Engenheiro Domingos Simões Pereira (Ex-Secretário Executivo da CPLP.

O Congresso foi igualmente um momento de reconhecimento da crescente importância da participação da Sociedade Civil no desenhar da moldura da organização social do futuro.

O EspectáculoViagens com a expressão da Cultura dos Cidadãos da CPLP, foi o culminar destaViagemde dois dias encetada pela PASC, mas que esperamos venha a ter eco em toda a Sociedade Civil do Espaço Lusófono.

Na sequência da actividade desenvolvida, em particular do Congresso, a PASC assume como objectivos para além da edição de uma brochura que permita registar o acontecimento, a promoção de projectos de parcerias entre Associações dos diferentes Países da CPLP e suas Diásporas, o criar de condições para a promoção de umaPlataforma de Associações do Espaço Lusófonobem como a promoção em 2014 de um II Congresso da Cidadania Lusófona.

Segunda-feira, 8 de Abril de 2013

[Divulgação] 2ª Corrida / Marcha D. Estefânia – Dia da Mãe

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[Opinião] A propósito de uma Nova Narrativa


Pode ou não gostar-se do sujeito Sócrates, mas o homem parecia querer
imitar um profeta, falava de tomar a palavra e repetiu mais de duas
dezenas de vezes ao longo da primeira entrevista televisiva o conceito de
narrativa nova, como se houvesse também uma velha narrativa. De tudo
o que disse parece que aquilo que ficou e repetiu nos dias seguintes foi
mesmo a ideia de uma Nova Narrativa. Até que ponto esse conceito tem
fundamento e um novo significado? Vejamos:

1- O conceito clássico de inteligência, isto é, o ser racional, lógico
e analítico, caiu muito nas bolsas de valores. Com a teoria das
inteligências múltiplas e outras, ela passou a ser apenas mais uma
entre muitas e nem sequer a mais importante. A causa tem a ver
com as alterações profundas que se deram quer na sociedade, quer
na economia e que passaram da Era da Informação que era linear
e lógica para uma Era Conceptual onde domina a criatividade, a
empatia e a holística;

2- Com este tipo de mudança, alteraram-se também as competências
de base da Sociedade, das quais destaco, porque tem a ver com
essa tal ideia da Nova Narrativa, uma que se denomina História e
a outra o Sentido. História que é aqui o sinónimo de narrativa, isto
é, a capacidade de colocar os factos num contexto, se quisermos,
reunir texto e contexto e apresentá-lo com impacto emocional.
Esta é a essência da Nova Narrativa, condensar conhecimento,
contexto e emoção. O Sentido é depois o orientador dessa
narrativa e funciona como verdadeiro propósito. Costuma mesmo
dizer-se que nós nascemos para o Sentido e não para o prazer, a
menos que este faça sentido. O Sentido, neste caso, tem depois
dois tipos de avaliação, um individual e tem a ver com a variante
passiva ou activa do Ego de cada um e a outra, que tem a ver com
o valor moral social. Em qualquer dos casos, a narrativa só existe
quando faz sentido para o próprio e ele fica satisfeito ou quando
faz sentido para a sociedade. Mas reparem que estou ainda a falar
de narrativa, porque quando queremos falar de Nova Narrativa,
então entramos no espaço de uma Era Conceptual e isso passa a
ter um outro significado. Neste caso, a narrativa com sentido passa
a ser dominada pelo high touch que é uma capacidade de sentir
empatia pelos outros, entender a subtileza das relações, encontrar
satisfação dentro de si e ajudar os outros a fazer o mesmo, ir para
além do comum, da trivialidade e da rotina. Se quisermos, a Nova
Narrativa é sobrecarregada com mais valor da Moral Social;

3- Hoje vivemos ainda numa não narrativa, ou seja, num discurso
daqueles que nos apresentam factos sobre factos, sem qualquer
narrativa ou sentido. É esse o discurso dominante quer dos
governos, quer das oposições, uns mais do que os outros. Dá para
perceber que a satisfação desta não narrativa esta focalizada
sobretudo no Ego Passivo dos seus narradores, isto é, aquele que
é dominado pela insegurança, apatia, agressividade, autoritarismo
e destruição de valores. Quer ainda dizer que a solução para as
nossas crises, dificilmente poderá sair de tal falta de narrativa,
precisaríamos no mínimo de um texto coincidente com o contexto,
precisaríamos que esse Ego Passivo se fosse tornando Activo, ou
seja, criativo, com capacidade de realização e capaz de superar
obstáculos. Tudo isto teria que começar na aprendizagem e na
prática de uma atitude aparentemente simples e que se chama
Humildade, cujo significado é o de uma auto-estima inteligente;

4- É verdade que começamos a ter um esboço de narrativas, umas
boas e outra más, algumas bem e outras mal organizadas.
Infelizmente a má é a que está organizada, é a narrativa mediática
dos partidos políticos que tem imposto aos media os seus mais
variados comentadores, como quem diz, vão e contem-lhes
histórias. O que está a acontecer é que evoluímos de uma não
narrativa para uma narrativa viciada e de histórias incompletas.
Tudo isto é pouco sério, porque não tem o contraditório da
Sociedade Civil, da realidade maior deste país e em nome da qual
todos dizem falar. E porque será que a narrativa da Sociedade
Civil não passa nos media? Talvez porque essa seja mesmo Nova
e ponha em causa todas as outras que ficariam sem graça, talvez
porque resistimos sempre ao Novo e preferimos as imitações;

5- O que faltará então para que se possa falar de uma Nova Narrativa?
Em primeiro lugar precisamos construir uma narrativa com sentido
e suportada num texto e contexto coerentes. Isto não quer dizer
igual, quer dizer que ela é capaz de respeitar toda a diversidade
da Sociedade e não apenas a dos partidos políticos. É uma quase
narrativa ou uma narrativa viciada, por exemplo, tudo o que opõe
os discursos dos governos e oposições, as explicações sobre a
boa e má governação, sobre a verdadeira representatividade da
Assembleia, sobre a independência do PR, sobre a competência
e credibilidade de alguns governantes, sobre as negociações e
avaliações da Troika, sobre tudo o que os governos dizem que é
para bem do povo;

6- É o começo de uma Nova Narrativa as duas páginas do último
Expresso, quando dá um enorme título e mensagem “ A Solução
para Portugal está na Sociedade Civil”. Somos naturalmente por
uma Nova Narrativa, mas que comece desde logo por ser aquilo
que a define…uma história com sentido e, em boa verdade, o nosso
Sistema Político perdeu esse sentido!

Jorge Marques (Este texto representa apenas o ponto de vista do autor, não da PASC, nem das associações que a compõem)

Domingo, 7 de Abril de 2013

I Congresso da Cidadania Lusófona: Conclusões de Garcia Leandro


I CONGRESSO DA CIDADANIA LUSÓFONA
Organização da PASC 
com a Coordenação do MIL e da Sphaera Mundi - Museu do Mundo
SOCIEDADE DE GEOGRAFIA DE LISBOA
2 E 3 DE ABRIL DE 2013

CONCLUSÕES
PALAVRAS DE GARCIA LEANDRO











Das horas aqui passadas, neste primeiro dia, parece-me que se podem tirar algumas conclusões, algumas intemporais e outras conjunturais:

Relativamente aos objectivos:

Pretende-se começar a assumir a necessidade de criar a Cidadania Lusófona com apoio na Sociedade Civil; os 15 anos passados sobre a criação da CPLP provaram que tal objectivo não terá sucesso se não for muito apoiado pelas diferentes sociedades civis de cada País da Lusofonia. O sistema político e a estrutura político-partidária provaram que, por si sós, são incapazes de construir um forte conceito de Cidadania Lusófona o que torna indispensável a afirmação da Sociedade Civil como apoio permanente a montante.

Só que as nossas sociedades civis, incluindo a portuguesa, são fracas e têm estado desinteressadas desta questão estratégica; é assim preciso ir realizando a construção e afirmação da Sociedade Civil; parte-se de muito longe para um objectivo que está muito distante e para alguns é mesmo utópico, mas que tem de ser perseguido sem desistir.

Relativamente à organização e participantes:

A PASC deitou mãos a uma organização complexa e difícil em termos de objectivos, de participantes e de logística que foi erguida com grande sucesso graças ao empenhamento e esforço do MIL que coordenou a organização do Congresso e da Sphaera Mundi que organizou o Espectáculo sob o desígnio "Viagens" que, de forma única, enriqueceu o espírito do Congresso através da participação generosa e solidária de Artistas de todo o Espaço Lusófono".

Desde entidades muito representativas das várias áreas da Lusofonia até à participação de associações que vêm de todo o tipo de actividades e regiões, temos uma parte significativa da Sociedade Civil Lusófona aqui representada, o que é apenas um primeiro passo de muitos anos de trabalho; a seu lado temos a PASC com mais de trinta associações privadas portuguesas a iniciar uma ligação que se espera produtiva e feliz.

É a Língua que tudo pode juntar, o que se confirma com uma Festa da Lusofonia, em sarau musical, apresentando um alargado grupo de artistas de várias nacionalidades que estão ligados pelo Português.

Culturas diferenciadas e cruzadas, que mutuamente se influenciaram e que a língua consegue juntar!

É um ativo que não podemos desperdiçar.

Relativamente ao mundo actual:

O mundo actual está em profunda mutação, com mudanças tão profundas como as que ocorreram depois da Revolução Francesa e da I Revolução Industrial, bem como após as I e II Guerras Mundiais.

Desde a queda do Muro de Berlim e da implosão da URSS que temos estado sempre em período de transição, ocorrendo factos e eventos que mais diferenças vão marcando para o futuro.

O mundo actual já pouco tem a ver com o mundo pré-1989, embora muitas mentalidades não tenham mudado; só a qualidade em todas as actividades, o aproveitamento da melhor tecnologia e as ligações em rede serão os grandes trunfos de qualquer grupo social.

A Geografia está a mudar (o que nunca tinha ocorrido), bem como a hierarquia dos Poderes, surgindo uma Europa com muitas dificuldades para enfrentar as mudanças que se vinham anunciando, enquanto outras regiões do globo estão a crescer.

Relativamente aos falantes da Lusofonia

É neste novo mundo, muito diferente do do passado, que as Comunidades da Lusofonia devem encontrar novos modos de aproveitar as suas potencialidades e reduzirem as vulnerabilidades;
têm de conseguir sobreviver com uma maior afirmação.

Este Congresso é a prova de que existe uma vasta sociedade civil em Nações e Regiões que quer aproveitar a sua geografia, história e, principalmente, a língua comum, para reforçar as suas relações culturais, académicas, tecnológicas e económicas. Há que assumir o passado e utilizá-lo na construção do futuro.

Tudo deve ser posto ao serviço do progresso e do desenvolvimento (a retórica não chega), o que significa melhorar a economia e o nível social de todos, aproveitando as capacidades nacionais e regionais de cada um e reforçando-as com todo o tipo de sinergias que possam ser aproveitadas.

Há que entrar afoitamente na mundialização de todas as actividades, aproveitando a língua, as novas oportunidades e as relações históricas, recusando os pequenos mundos fechados e as divergências em que muitos ainda vivem.

O crescimento em rede permite, não apenas o crescimento de um, mas o crescimento de todos de um modo que pode ser potenciado pelo efeito integrador, o que é uma verdade absoluta no Atlântico Sul em cujas costas se fala o português e existem países em grande crescimento económico.

A sociedade civil, aqui pela primeira vez reunida, normalmente muito dispersa, pode ser o acelerador desse movimento necessário com representantes em todos os continentes.

A Língua não é tudo, mas ajuda muito, se o desejarmos.

Só temos um caminho, continuar a trabalhar nesta direcção e com mais força.

Este Congresso sendo um grande esforço de vontade e de organização é apenas uma pequena gota de água no grande mar das possibilidades da Lusofonia, o que nunca poderemos esquecer; estamos apenas no princípio de uma rota que deve ser de sucesso!

Sociedade de Geografia de Lisboa, 2 de Abril de 2013
Garcia Leandro