Sexta-feira, 30 de Setembro de 2011

O Despertar da Sociedade Civil: "O menino que não chora, nem parte, nem esbraveja, nem resiste aos conselhos há-de formar depois nas massas submissas (...) na verdade, não posso ter grande respeito pelas amibas que sobrevivem" (Agostinho da Silva)


"O menino que não chora, nem parte, nem esbraveja, nem resiste aos conselhos há-de formar depois nas massas submissas (...) na verdade, não posso ter grande respeito pelas amibas que sobrevivem."
Agostinho da Silva, O Império do Espírito Santo entre os Homens

E contudo as "amibas que sobrevivem" constituem hoje de facto a esmagadora maioria da sociedade civil portuguesa. Portugal apresenta dos índices de vida associativa e comunitário mais baixos do mundo desenvolvido e se durante muito tempo foi possível encontrar a justificação para essa anomalia no "paternalismo de Estado" e na Inquisição Católica, hoje em dia tais causas não explicam a desmobilização e o amorfismo crónico das novas gerações.

A formatação do ensino pode contudo explicar esta formação de gerações sucessivas de "amibas que sobrevivem": o Ensino está orientado na base do Saber que é adquirido não de forma empírica mas autoritária e unidireccional. Os aspectos experimentais e laboratoriais - nos primeiros ciclos - sao raros, quando deviam ser dominantes. Os planos curriculares são extensos e irrealistas, deixando pouco tempo para o saudável questionamento e para a formacao livre, original e espontânea de pensamento. Tudo isto tem que ser mudado e no mesmo local onde os Republicanos acreditavam (com razao) ser possível forjar uma nova geração de cidadãos, ativos e conscientes: a Escola Pública.

Incentivemos pois, nos primeiros dois Ciclos, todas as formas de questionamento do Saber, de produção natural e espontanea de Saber a partir de informações e dados previamente disponibilizados às crianças, por forma a que possam tirar elas próprias as suas conclusões. Estimulemos o debate, o confronto de opiniões contrárias e o estabelecimento de consensos e acordos, logo desde tenra idade. Alimentemos a saudável curiosidade infantil com Saber e ferramentas de produção de conhecimento.

Sigamos Agostinho: não deixemos que nos matem a criança que há em nós e deixemo-nos ser permanentemente questionadores e insubmissos perante todas as formas de opressão (económica, social, mediática ou política) realizando assim a plenitude da nossa Humanidade e despertando esta Sociedade Civil passiva e inerte que carateriza o Portugal de hoje.

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